O déficit de atenção afeta crianças, adolescentes e adultos em todo o mundo. Saiba como navegar em cada uma destas fases e os problemas associados ao TDAH

Conhecida por ser uma doença dimensional, o transtorno de deficit de atenção e hiperatividade começa a se manifestar ainda na infância e, quando não é tratado, pode chegar a atrapalhar muito a vida profissional e social na fase adulta. Apesar de momentos inquietos ao longo da vida serem naturais, se os sintomas são ignorados, o desenvolvimento de relacionamentos, uma carreira promissora e o bom convívio e bem-estar serão comprometidos.

Reunimos aqui os principais pontos sobre como lidar com o TDAH nas diferentes fases da vida, desde a infância até a fase adulta, e recomendações para contornar as dificuldades. O aspecto mais importante sobre o deficit de atenção e hiperatividade é promover a conscientização pública do assunto – pois, apesar de não ter cura, é uma doença que pode ser tratada e controlada com técnicas comportamentais e estratégias.

TDAH na infância

Bebês chorões que sofrem de insônia, cólica e irritação fácil mesmo estando bem nutridos, podem expressar ainda mais inquietude e frustração depois que começam a andar, por simplesmente “não parar quietos”. Desobediência, teimosia, acidentes ao começar a andar. No seu processo de alfabetização, quando começam a ler e a escrever, os primeiros sinais de dislexia e transtornos de aprendizado se tornam evidentes. Neste momento é recomendado buscar ajuda especializada  para investigar se o diagnóstico é TDAH.

Fique atento para o comportamento escolar e doméstico, especialmente entre os 7 e 12 anos, quando as aulas e atividades escolares começam a requerer mais tempo de concentração e disciplina, e converse frequentemente com os professores. Escolas que oferecem uma rotina fixa são mais desejáveis em relação àquelas que veem esse ponto como dispensável, pois as primeiras encorajam as crianças a seguir regras e normas.

TDAH na adolescência

Além dos traços residuais da infância, durante a adolescência, o jovem que tem problemas de atenção e hiperatividade apresenta dificuldades para iniciar as tarefas do dia a dia, posterga a tomada de decisões e interrompe facilmente as sessões de estudo desviando o foco para outras coisas. Nesta fase as repetições escolares são comuns, pois a base de conhecimento foi afetada com a instabilidade de atenção dedicada aos estudos nos anos anteriores.

Desestimulado pelo baixo desempenho escolar, pela dificuldade de começar e concluir projetos e pelas críticas dos pais e professores, o adolescente com TDAH também pode se envolver com consumo de drogas e álcool e desencadear um processo de ansiedade generalizada ou depressivo porque se considera burro ou preguiçoso.

A energia do adolescente deve ser canalizada em atividades físicas, prática de esportes, trabalho voluntário e rotinas de estudo que se adaptem ao perfil e interesse do jovem. Toda atividade que puder contribuir com disciplina, constância e conquista de objetivos graduais deve remediar a hiperatividade e impulso. Criar um sistema de pontuação e mediar o relacionamento entre irmãos de idades similares também é crucial nesta fase, quando brigas e aborrecimentos se tornam mais frequentes.

TDAH na fase adulta

Carregar os sintomas da adolescência ou infância para a fase adulta implica dificuldades pessoais para manter relacionamentos por muito tempo, não tolerando os erros e defeitos das pessoas, e demonstrando impaciência para escutar histórias muito longas e monótonas, o que compromete a noção de companheirismo.

Além da elevada incidência de desemprego, divórcio, quadro depressivo, ansiedade generalizada, abuso de substâncias químicas e a frequência de acidentes. Adultos com TDAH também estão constantemente mudando os interesses pessoais e profissionais, enjoando fácil das coisas, trocando de academia ou de esporte com frequência, fazendo reformas e trocando os móveis de lugar várias vezes por ano, e minimizando o tempo entre uma ideia e a decisão de colocá-la em prática.

Indecisão sobre qual curso universitário ou profissão seguir, trancando e abandonando carreiras no meio do caminho, também podem ser manifestações de hiperatividade.

No trabalho, procurar o tempo todo mais coisas para fazer, indo além do volume natural de atividades que a posição exige, e a vontade de acabar logo com as atividades, especialmente as mais demoradas, podem conduzir à sobrecarga e provocar estresse em si ou nos colegas próximos.

Problemas comuns devido ao deficit de atenção, falta de memória e hiperatividade

Quando o TDAH manifestado na fase infantil não é acompanhado e tratado, o adulto que sofre do transtorno pode levar uma vida profissional e pessoal conturbadas. Dentre as dificuldades mais comuns, estão:

  • Desânimo e dificuldade de começar a fazer as coisas por conta própria;
  • Necessidade de estímulo constante por ser difícil manter o esforço;
  • Não conseguir produzir o suficiente a não ser quando está sob pressão;
  • Dificuldades de se comunicar claramente;
  • Consumo de substâncias que aparentemente ajudam a “manter a atenção”;
  • Problemas ao administrar as emoções – se irritar facilmente, guardar as críticas que recebe por muito mais tempo, ser impaciente.

Sustentar um namoro, casamento ou relação de trabalho com quem sofre de TDAH sem tratamento é um desafio. Se reconheceu na descrição acima ou reconheceu alguém que você ama atuando desta forma com frequência?

Ajude-o a entender mais sobre o assunto, informe-se e seja consciente de que o tratamento está ao alcance de todos, basta procurar ajuda.

Como lidar com a impulsividade?

Quem tem dimensões altas de hiperatividade não costuma ponderar os prós e contras de uma situação, muito menos os riscos em jogo. Portanto, hábitos como os jogos de azar, consumismo desenfreado e vício em trabalho podem ser muito prejudiciais para a relação. O hiperativo toma certas decisões na empolgação do momento, graças a um estímulo externo, e depois aquilo vai perdendo a graça, se tornando monótono e enjoativo.

Uma boa dica é ajudar a pessoa a refletir sobre as questões com frequência:

  • Você precisa realmente de um carro novo?
  • Como se sentiu da última vez que fez uma compra cara?
  • Está exagerando nas horas que fica até mais tarde no trabalho?

Não conseguir controlar o impulso de dizer o que pensa e depois se arrepender é outro ponto que precisa ser moderado com autoconhecimento e domínio das emoções. Além de reconhecer o erro e saber pedir perdão, é preciso criar um “sinal amarelo” neste semáforo hiperativo, que só reconhece as cores vermelha e verde, não se dando o tempo necessário para frear no amarelo.

Desatenção e esquecimento

A falta de atenção não é proposital, mas pode criar saias justas. Esquecer o nome das pessoas ou de onde as conhece, esquecer de deixar as crianças na escola e levá-las para o trabalho por engano, não se dar conta de que é o aniversário do esposo…

Há também quem compartilhe dificuldades em terminar livros, cursos ou dissertações porque é mais fácil desviar a atenção para outras atividades mais atraentes.

Reconheceu as características acima em alguém próximo a você? Recomende este artigo! Além disso, aproveite para conhecer a nossa metodologia para que, em conjunto com o tratamento clínico, o sonho do vestibular, ENEM, concursos públicos ou exames profissionais se tornem reais.

Fontes:

Paulo Mattos – No mundo da lua – Perguntas e respostas sobre o Transtorno do Deficit de Atenção com Hiperatividade em crianças, adolescentes e adultos.

Thomas W. Phelan – TDA/TDAH: transtorno de deficit de atenção e hiperatividade: sintomas, diagnósticos e tratamentos: crianças e adultos



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